Após uns meros 45 minutos de viagem (o tempo de distribuir um lanchinho e uma bebida a correr, e recolherem logo de seguida), chegamos ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
Pouco tempo antes do check-in ficamos a saber que nosso voo estava atrasado, uma vez que o aeroporto de Navegantes estava fechado. O voo da manhã havia retornado a São Paulo. Soubemos também que perdemos a oportunidade de trocar para Joinville, porque já estava muito em cima para a alteração das bagagens de porão… começa o stress… acumulado com o cansaço… tínhamos levantado em Portugal às 6h da manhã (hora do Brasil) do dia anterior… e já eram aproximadamente meio-dia, ou seja, 30 horas já se tinham passado.
A confusão era grande, e a informação que tínhamos é que… simplesmente, temos de aguardar os boletins meteorológicos, que são emitidos a cada hora, para saber se o võo sairá ou não… só aguardar… indefinidamente…
Depois de alguma discussão, lá recebemos um voucher para almoço, e lá pelas 14h fomos almoçar… Nada de novidades. Falando com meus pais, já muito preocupados, as notícias não eram nada boas… não podiam ir nos buscar no aeroporto, pois um gasoduto explodiu uma grande parte da BR-470, estrada de ligação de Rio do Sul (terra dos meus pais) para Navegantes (nosso próximo destino).
As alternativas estavam todas cortadas por inundações ou desabamentos.
Resumindo uma longa, desagradável e cansativa espera, após nos mandarem para outro portão de embarque, fomos informados que o nosso voo ia se juntar ao das 17:30, que efectivamente iria sair. Nem todos os bilhetes tinham sido substituídos, de forma que a atribuição dos assentos seria pelo método salve-se-quem-puder.
Finalmente estávamos dentro do avião (temendo porém que as nossas malas não nos seguissem, com toda aquela confusão!), e o comandante informa que iria tentar aterrar em Navegantes, mas que nada estava ainda garantido. Poderíamos divergir para outro aeroporto (falou em Porto Alegre e Curitiba), ou mesmo voltar para São Paulo. A viagem era novamente curta, cerca de 50 minutos, mas pareceu longa… já mais próximo, o comandante ainda não tinha certeza se iria aterrar, mas já sabia que, em caso contrário, voltaríamos a São Paulo.
Não se via nada pela janela… só nuvens. A turbulência era muita, e já havia uma passageira meio histérica, a chorar e gritar: “Por que é que ele está a fazer isso… Por que é que saímos… Ele é maluco…”
Já bastante próximo do solo, passamos a camada de nuvens, e a imagem era desoladora… parecia um imenso mar de cor ocre, onde era suposto haver terra… só se viam algumas copas de árvores, e alguns telhados de casas no meio da água. Confesso que impressionou-me a imagem.
Finalmente, aterramos em Navegantes, sem maiores problemas. Novamente em terra, nossa aventura continua.

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