Férias no Brasil 5 – Balneário Camboriú

Balneário Camboriú seria apenas mais uma etapa da nossa viagem, uns meros 10km em linha recta, mas, como meus pais têm ali uma casa de praia, pelo menos não estaríamos a pagar hotel até conseguirmos ir ter com eles, o que ainda era impossível, e não havia previsões.

Devido a alguns acontecimentos desagradáveis do passado, que não vale a pena comentar, tivemos que chamar um chaveiro para abrir a porta, e trocar a fechadura. Depois, saímos às compras, pois precisávamos lençóis e alguns utensílios essenciais. Os dias seguintes foram assim, grandes caminhadas, de reconhecimento, e compra. O clima variava entre sol e chuva, várias vezes no mesmo dia, por isso, só houve uma manhã que estivemos umas horinhas na praia. A água estava muito suja devido às cheias, e trazia muito lixo para a areia, que era recolhido diariamente.

Esta é uma cidade grande, muito bonita, e que tem evoluído muito, portanto, notei muitas diferenças desde a minha última visita.

A Paula gostou muito, muitas lojinhas, de tudo, e com muito bons preços. Nos grandes supermercados que lá visitamos, comprei muitas coisas de que já tinha saudades de comer, e a maioria que a Paula nunca tinha comido, e, regra geral, gostou. Por exemplo:

  • Sonho de Valsa (bombom de chocolate)
  • Diamante Negro (chocolate em barra)
  • Pipoca (diferente da conhecida em Portugal)
  • Costelinha de Porco (fumada… ou “defumada”, em português do Brasil)
  • Chica-bom (um gelado de chocolate da “Kibon” … “Olá” em Portugal, que estava a comemorar 75 anos de existência)
  • Esfiha (um salgado… tipo empada… mas diferente!)
  • Doce de Leite
  • Queijo Minas Frescal (uma espécie de queijo fresco)
  • Pastel (pastel de massa tenra… mas fritos na hora, e há inúmeras variedades de recheios… A Paula gostou do “Planeta Pastel”, onde há 50 variedades)

Além disso, almoçamos e jantamos em muitos sítios que gostamos muito. Mesmo à entrada do prédio há um restaurante de peixes, mas que tem a “noite Italiana” na 4ª feira, onde há uma infinidade de comidas tipo italiana, em forma de rodízio, onde comemos muito bem. Nos Shopping’s há muitas casas de pastéis, de comida por quilo (muito boa carne), e de sobremesas por quilo, que gostamos muito. Também almoçamos um dia uma “sequencia de marisco”, que estava muito boa.

Em termos de passeios, além de várias voltas pelos 7km de praia, andamos no teleférico que leva à praia de Laranjeiras, muito mais pacata, mas ainda muito bonita. A vista é lindíssima lá de cima.

Sábado finalmente decidimos tomar um autocarro, e rumar para Rio do Sul, e finalmente encontrar com meus pais.

Férias no Brasil 4 – Navegantes

Chegando a Navegantes, uma vez que Itajaí, a cidade mesmo ao lado, e passagem obrigatória para sair de Navegantes, estava quase que 90% submersa, sabíamos que não podíamos sair dali. Uma simpática moça de balcão duma agência de viagens no aeroporto, indica-nos uma Pousada, liga para lá a solicitar preços e disponibilidades, regateia o preço, e faz-nos a reserva… obrigado. Dividimos um táxi com outro passageiro que iria para Ilhota, uma terrinha que praticamente desapareceu do mapa, por causa dos desabamentos, e ficaria na mesma pousada.

Lá fomos para a Pousada do Sabiá, uma pousada simples, mas acolhedora, e com pessoal simpático… apesar de que o “pessoal” era basicamente a proprietária da pousada, uma vez que as empregadas não conseguiam vir trabalhar, pois tinham também ficado com as casas sob a inundação.

Não há sítio para jantar… encomendamos uma pizza de frango com catupiry… média… que provou ser gigantesca… mas deliciosa, mesmo tendo apenas o conforto de sentar na cama! Só conseguimos devorar a metade, sendo que o resto foi nosso almoço no dia seguinte… e lá dormimos um sono repousante depois de dois dias extenuantes .

No outro dia de manhã, pequeno almoço na pousada (simples mas gostoso), seguido de reconhecimento do território. A pousada é simpática, e a nossa vista bonita: mesmo em frente ao mar, e com uma piscina mesmo à nossa porta. Pena que as circunstâncias não são propriamente adequadas para o lazer e descanso.

Navegantes, é uma cidade pequena, que tem basicamente o aeroporto, e uma rua principal, com algumas lojinhas sem grande aspecto! A melhor coisa que tinha era… uma pastelaria com pãezinhos de queijo a R$ 0.25, ou seja, aproximadamente 0.08€ (foram dezenas de deliciosos pãezinhos de queijo saboreados nestas férias!).

Até às 13:30 tínhamos de decidir se ficávamos mais uma noite na pousada ou não. A procura era grande, pois os aviões chegavam a Navegantes, e as pessoas não conseguiam seguir para os destinos finais. Este também era o nosso caso, confirmamos com os táxis (com o “Gaúcho” que nos trouxe do aeroporto), e ainda não havia hipótese de seguir… mas ele garantiu que assim que houvesse, avisava-nos… será ?

Compramos um telemóvel (celular) para evitar estar sempre a pagar roaming para falar com meus pais, por menos de 20.00€, e quase insistiram para que eu pagasse em prestações… sim, aqui paga-se tudo em prestações !

À noitinha aparece o pessoalmente “Gaúcho” à minha procura na pousada, a dizer que já havia uma hipótese, dando uma volta maior, de encontrar um caminho até Balneário Camboriú. Ficou combinado para as primeiras horas da manhã seguinte. O Jantar foi pãozinho (francezinho) com queijo.

De manhã cedo, nós ainda no pequeno almoço, e já lá estava o prestável “Gaúcho” à nossa espera, e lá seguimos até Bal. Camobriú, num táxi que inspirava muito pouca confiança, pois o volante abanava como tudo, o que não impedia de irmos a grande velocidade. Vimos pela estrada ainda muita desolação, e muitas casas ainda submersas.

Férias no Brasil 3 – São Paulo

Após uns meros 45 minutos de viagem (o tempo de distribuir um lanchinho e uma bebida a correr, e recolherem logo de seguida), chegamos ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Pouco tempo antes do check-in ficamos a saber que nosso voo estava atrasado, uma vez que o aeroporto de Navegantes estava fechado. O voo da manhã havia retornado a São Paulo. Soubemos também que perdemos a oportunidade de trocar para Joinville, porque já estava muito em cima para a alteração das bagagens de porão… começa o stress… acumulado com o cansaço… tínhamos levantado em Portugal às 6h da manhã (hora do Brasil) do dia anterior… e já eram aproximadamente meio-dia, ou seja, 30 horas já se tinham passado.

A confusão era grande, e a informação que tínhamos é que… simplesmente, temos de aguardar os boletins meteorológicos, que são emitidos a cada hora, para saber se o võo sairá ou não… só aguardar… indefinidamente…

Depois de alguma discussão, lá recebemos um voucher para almoço, e lá pelas 14h fomos almoçar… Nada de novidades. Falando com meus pais, já muito preocupados, as notícias não eram nada boas… não podiam ir nos buscar no aeroporto, pois um gasoduto explodiu uma grande parte da BR-470, estrada de ligação de Rio do Sul (terra dos meus pais) para Navegantes (nosso próximo destino).

As alternativas estavam todas cortadas por inundações ou desabamentos.

Resumindo uma longa, desagradável e cansativa espera, após nos mandarem para outro portão de embarque, fomos informados que o nosso voo ia se juntar ao das 17:30, que efectivamente iria sair. Nem todos os bilhetes tinham sido substituídos, de forma que a atribuição dos assentos seria pelo método salve-se-quem-puder.

Finalmente estávamos dentro do avião (temendo porém que as nossas malas não nos seguissem, com toda aquela confusão!), e o comandante informa que iria tentar aterrar em Navegantes, mas que nada estava ainda garantido. Poderíamos divergir para outro aeroporto (falou em Porto Alegre e Curitiba), ou mesmo voltar para São Paulo. A viagem era novamente curta, cerca de 50 minutos, mas pareceu longa… já mais próximo, o comandante ainda não tinha certeza se iria aterrar, mas já sabia que, em caso contrário, voltaríamos a São Paulo.

Não se via nada pela janela… só nuvens. A turbulência era muita, e já havia uma passageira meio histérica, a chorar e gritar: “Por que é que ele está a fazer isso… Por que é que saímos… Ele é maluco…”

Já bastante próximo do solo, passamos a camada de nuvens, e a imagem era desoladora… parecia um imenso mar de cor ocre, onde era suposto haver terra… só se viam algumas copas de árvores, e alguns telhados de casas no meio da água. Confesso que impressionou-me a imagem.

Finalmente, aterramos em Navegantes, sem maiores problemas. Novamente em terra, nossa aventura continua.

Férias no Brasil 2 - Rio de Janeiro

Quanto à viagem, só tenho a assinalar que o almoço da TAP me surpreendeu pela positiva, e que o sistema de entretenimento multimédia in-flight, apesar de ser baseado em Red Hat Linux, precisou de vários restart's (onde vi todo o processo de arranque e descobri que era Linux!), para ficar operacional!

Chegando ao aeroporto Internacional António Carlos Jobim (Galeão) no Rio de Janeiro, e falando com meus pais, recebo as primeiras notícias que o clima em Santa Catarina não está nada bom, e que as enchentes poderiam nos causar problemas.

Como tinhamos de mudar de aeroporto, e esperar até o dia seguinte, colocamos a hipótese de ficar num hotel, mas como as horas de sono seriam poucas, e o stress de andar com malas de um lado para o outro também seria grande, decidimos esperar no Aeroporto. Assim, tomamos um táxi até o aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio. Não se podia ver nada, pois já era noite, a não ser o ostensivo policiamento do trajecto.

Chegando lá, tratamos de comer qualquer coisa (no meu caso um X-Egg Bacon delicioso), na única lanchonete aberta no aeroporto àquela hora (cerca de 21h!).
Encontramos umas cadeiras mais ou menos confortáveis, para nos instalarmos, e aguardarmos ansiosamente o passar das horas.
Por momentos tememos que o aeroporto fecharia por completo, e nos colocariam para fora! Aquilo ficou praticamente deserto, somente com o movimento ocasional das equipas de limpeza. Alguns cochilos pelo meio... e lá começa a amanhecer o dia, e nós já à frente do balcão da TAM para sermos dos primeiros atendidos. Sinceramente, pensei que a passagem da noite iria ser mais difícil... passou-se.

Um pãozinho de queijo para o pequeno almoço (sim, porque agora já havia mais opções de alimentação abertas), e lá embarcamos destino a nossa próxima paragem.

Férias no Brasil 1 - Lisboa

Bem, finalmente chegaram as nossas férias a sério. Após passar todo o verão respondendo a todos que só iríamos de férias no final de Novembro, finalmente a data chegou. As malas já estavam "me fase de arrumação" há mais de um mês, a tensão e ansiedade eram grandes... afinal, já se haviam passado muitos anos desde a última vez que estive no Brasil com meus pais, e para a Paula era tudo novidade, e a realização de mais um sonho: conhecer o Brasil.

Logo de manhã, nossos grandes amigos Nuno e Carlinha já estavam à nossa nossa espera na rua, pois foram nossos condutores até ao Aeroporto, e guardiões do nosso carrinho.

À chegada ao aeroporto, o primeiro pequeno contratempo... um viajante com um carrinho cheio de malas não consegue sair do tapete rolante... e "rola" por cima do carrinho, malas, etc... nós estávamos atrás, mas no meio estava um bebé num carrinho, que estava a ficar entalado entre nós e o... "artista"... uma cena digna de apanhados, não fosse o bebé que poderia se magoar.
Depois disso... lá seguimos sem maiores complicações nosso rumo para a próxima paragem.

PS.: Dividi a história de acordo com as paragens, pois serão muitas!